segunda-feira, 10 de outubro de 2011

REALISMO E NATURALISMO NO BRASIL

REALISMO ? NATURALISMO NO BRASIL


Inicia em 1881, com a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.
Machado de Assis é considerado o mais importante representante do realismo brasileiro.
Características do Realismo:
(Apostila) a preocupação fundamental do escritor realista é apresentar a história, a personagem, a cena, a paisagem, a coisa enfim, como é na realidade, sem desfigura-la.
Gosto pelo detalhe, o escritor faz questão de apresentar minuciosamente o objeto.
Exploração dos dramas existenciais, o homem à luz da filosofia da época.
As personagens são tipos concretos, vivos e reais, e predominam sobre o enredo.
A análise psicológica das personagens se sobrepõe ao enredo.
As personagens são peças da engrenagem maior; condicionadas pelo meio e pela sociedade.


PRINCIPAL OBRA DO REALISMO MACHADIANO
Memórias póstumas de Brás Cubas
Enredo: Brás Cubas, narrador e protagonista, conta sua vida, começando pela doença e morte. Faleceu em 1869, no Catumbi, quando onze amigos o acompanharam ao cemitério.
Morreu de pneumonia, apanhada ao tentar descobrir um emplasto que aliviasse a melancólica humanidade, visando ele a fama e o lucro.
Nasce em 1805. Passa com amargura e mediocridade pela escola. Aos 16 anos conhece Marcela, primeiro romance, que dura, quinze meses e onze contos de réis.
Anos depois retorna de Coimbra diplomado. Perde Virgilia, e a cadeira de deputado para Lobo Neves, por indecisão. Mais tarde, passa a encontrar-se regularmente com Virgília, até que ela e o marido partem, pois o marido foi nomeado presidente da província.
Fica noivo de Eulália, que morre de febre amarela.
Consegue ser deputado, sem brilho. Reencontra-se, aos 50 anos com Virgília, e com Quincas Borba, colega de escola, agora demente e metido a filosofo (humanitismo) ao vencido, ódio ou compaixão, ao vencedor, as batatas).
Brás Cubas nos expõe, cinicamente, os valores e comportamentos de seus familiares, seus amigos, e das mulheres com quem se relacionou, traçando um quadro social e psicológico,
irônico, em que sua vaidade se combina com seu desencanto.
O balanço final do narrador sobre a existência humana é pessimista; depois de uma vida que resulta em fracassos, ele afirma: ?Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria?.


OBSERVAÇÃO: em muitas passagens da narrativa o narrador conversa como leitor, instigando-o a fazer julgamentos sobre o que ele relata.


DOM CASMURRO: Bentinho e Capitu ? olhos de ressaca,
D. Gloria mãe de Bentinho queria que ele fosse padre, mas José Dias acaba dissuadindo-a da idéia. Bentinho e Capitu, amigos de infância, se apaixonam e se casam. Amigos do casal Palha, Escobar e Sofia. Bentinho desconfia que é traído por Capitu com Escobar. Nasce Ezequiel filho de Capitu e muito parecido com Escobar. Escobar morre afogado e no velório Capitu olha para o morto com olhos de:
Ambigüidades: A estrutura da narrativa é montada de forma a causar ambigüidades, pois a morte de Escobar quando relacionada aos olhos de ressaca de Capitu é um exemplo.
Escobar morre afogado num dia de ressaca. Em outras palavras, ele foi tragado pelos olhos de Capitu. 

O Realismo, no Brasil, nasceu em conseqüência da crise criada com a decadência econômica açucareira, o crescimento do prestígio dos estados do sul e o descontentamento da classe burguesa em ascensão na época, o que facilitou o acolhimento dos ideais abolicionistas e republicanos. O movimento Republicano fundou em 1870 o Partido Republicano, que lutou para trocar o trabalho escravo pela mão-de-obra imigrante.
Nesse período, as idéias de Comte, Spencer, Darwin e Haeckel conquistaram os intelectuais brasileiros que se entregaram ao espírito científico, sobrepujando a concepção espiritualista do Romantismo. Todos se voltam para explicar o universo através da Ciência, tendo como guias o positivismo, o darwinismo, o naturalismo e o cientificismo. O grande divulgador do movimento foi Tobias Barreto, ideólogo da Escola de Recife, admirador das idéias de Augusto Comte e Hipólito Taine.
O Realismo e o Naturalismo aqui se estabelecem com o aparecimento, em 1881, da obra realista Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e da naturalista O Mulato, de Aluísio Azevedo, influenciados pelo escritor português Eça de Queirós, com as obras O Crime do Padre Amaro (1875) e Primo Basílio (1878). O movimento se estende até o início do século XX, quando Graça Aranha publica Canaã, fazendo surgir uma nova estética: o Pré-Modernismo.

CARACTERÍSTICAS

A literatura realista e naturalista surge na França com Flaubert (1821-1880) e Zola (1840-1902). Flaubert (1821-1880) é o primeiro escritor a pleitear para a prosa a preocupação científica com o intuito de captar a realidade em toda sua crueldade. Para ele a arte é impessoal e a fantasia deve ser exercida através da observação psicológica, enquanto os fatos humanos e a vida comum são documentados, tendo como fim a objetividade. O romancista fotografa minuciosamente os aspectos fisiológicos, patológicos e anatômicos, filtrando pela sensibilidade o real.
Contudo, a escola Realista atinge seu ponto máximo com o Naturalismo, direcionado pelas idéias materialísticas. Zola, por volta de 1870, busca aprofundar o cientificismo, aplicando-lhe novos princípios, negando o envolvimento pessoal do escritor que deve, diante da natureza, colocar a observação e experiência acima de tudo. O afastamento do sobrenatural e do subjetivo cede lugar à observação objetiva e à razão, sempre, aplicadas ao estudo da natureza, orientando toda busca de conhecimento.
Alfredo Bosi assim descreve o movimento: "O Realismo se tingirá de naturalismo no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeterem-se ao destino cego das "leis naturais" que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano, na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito".
Vindo da Europa com tendências ao universal, o Realismo acaba aqui modificado por nossas tradições e, sobretudo, pela intensificação das contradições da sociedade, reforçadas pelos movimentos republicano e abolicionista, intensificadores do descompasso do sistema social. O conhecimento sobre o ser humano se amplia com o avanço da Ciência e os estudos passam a ser feitos sob a ótica da Psicologia e da Sociologia. A Teoria da Evolução das Espécies de Darwin oferece novas perspectivas com base científica, concorrendo para o nascimento de um tipo de literatura mais engajada, impetuosa, renovadora e preocupada com a linguagem.
Os temas, opostos àqueles do Romantismo, não mais engrandecem os valores sociais, mas os combatem ferozmente. A ambientação dos romances se dá, preferencialmente, em locais miseráveis, localizados com precisão; os casamentos felizes são substituídos pelo adultério; os costumes são descritos minuciosamente com reprodução da linguagem coloquial e regional.
O romance sob a tendência naturalista manifesta preocupação social e focaliza personagens vivendo em extrema pobreza, exibindo cenas chocantes. Sua função é de crítica social, denúncia da exploração do homem pelo homem e sua brutalização, como a encontrada no romance de Aluísio Azevedo.
A hereditariedade é vista como rigoroso determinismo a que se submetem as personagens, subordinadas, também, ao meio que lhes molda a ação, ficando entregues à sensualidade, à sucessão dos fatos e às circunstâncias ambientais. Além de deter toda sua ação sob o senso do real, o escritor deve ser capaz de expressar tudo com clareza, demonstrando cientificamente como reagem os homens, quando vivem em sociedade.
Os narradores dos romances naturalistas têm como traço comum a onisciência que lhes permite observar as cenas diretamente ou através de alguns protagonistas. Privilegiam a minúcia descritiva, revelando as reações externas das personagens, abrindo espaço para os retratos literários e a descrição detalhada dos fatos banais numa linguagem precisa.
Outro tratamento típico é a caracterização psicológica das personagens que têm seus retratos compostos através da exposição de seus pensamentos, hábitos e contradições, revelando a imprevisibilidade das ações e construção das personagens, retratadas no romance psicológico dos escritores Raul Pompéia e Machado de Assis.
NATURALISMO


O MULATO de Aluisio de Azevedo é o primeiro romance naturalista, publicado em 1881.
Conta a história de Raimundo, jovem mulato que, retorna a São Luis depois de anos de estudo em Portugal, apaixona-se por a prima Ana Rosa. Desconhecendo sua consição de filho de escrava, Raimundo sofre sem compreender a hostilidade do meio social maranhense, conservador e racista. O desfecho é trágico: Raimundo é assassinado por Dias, pretendente de Ana Rosa, e a versão oficial é suicídio; ironicamente Ana Rosa se casa com o assassino e torna-se uma típica mãe de família burguesa.
CASA DE PENSÃO
O CORTIÇO, publicado em 1890, A ?Estalagem de São Romão? é apresentado como personagem de vida própria. Nesse espaço se desenvolve uma seqüência de quadros que expõem como um meio social pobre e promíscuo influenciando o comportamento dos seus habitantes.
O Naturalismo presente na obra ?O cortiço? é percebido pela observação rigorosa da realidade do mundo físico,figuras humanas comparadas a animais(zooformização).
O determinismo é percebido pela mostra da influência do meio como o cortiço age sobre o comportamento dos indivíduos, conduzindo-os à degradação social. São exemplos disso:
Jerônimo, português trabalhador e econômico que se torna vagabundo e beberrão e de Pombinha, menina que, bem criada pela mãe, torna-se uma prostituta.
A população do cortiço é composta por diversos elementos sociais:
Lavadeiras, policiais de baixa patente,italianos mascates, mulatos capoeiristas, brancos empobrecidos, portugueses recém-chegados. A luta pela sobrevivência é penosa, pois os pobres são explorados por João Romão.


PARNASIANISMO movimento poético paralelo ao Realismo-naturalismo
Em 1882, inicia com a publicação de Fanfarras de Teófilo Dias.
Movimento exclusivamente poético que surgiu na França, adepto da concepção da ?Arte pela Arte?, os poeta parnasianos valorizavam os aspectos formais da poesia e produziam textos rigorosamente obedientes aos padrões métricos e estróficos, perseguindo rimas raras.


DIFERENÇAS ENTRE REALISMO E NATURALISMO
                                            REALISMO
 - Forte influência da literatura de Gustave Flaubert (França).
 - Romance documental, apoiado na observação e na análise.
 - A investigação da sociedade e dos caracteres individuais é feita “de dentro para fora”, por meio de análise psicológica capaz de abranger sua complexidade, utilizando a ironia, que sugere e aponta, em vez de afirmar.
 - Volta-se para a psicologia, centrando-se mais no indivíduo.
 - As obras retratam e criticam as classes dominantes, a alta burguesia urbana e, normalmente, os personagens pertencem a esta classe social.
 - O tratamento imparcial e objetivo  dos temas garante ao leitor um espaço de interpretação, de elaboração de suas próprias conclusões a respeito das obras.

ü      Naturalismo


Tendência das artes plásticas, da literatura e do teatro surgida na França na segunda metade do século XIX. Manifesta-se também em outros países europeus, nos Estados Unidos e no Brasil. Baseia-se na filosofia de que só as leis da natureza são válidas para explicar o mundo e de que o homem está sujeito a um inevitável condicionamento biológico e social.
As obras retratam a realidade de forma ainda mais objetiva e fiel do que no realismo. Por isso, o naturalismo é considerado uma radicalização desse movimento. Nas artes plásticas não tem o engajamento ideológico do realismo, mas na literatura e no teatro mantém a preocupação com os problemas sociais.
Influenciados pelo positivismo e pela Teoria de Evolução das Espécies, os naturalistas apresentam a realidade com rigor quase científico. Objetividade, imparcialidade, materialismo e determinismo são as bases de sua visão de mundo. Características do naturalismo existem na França desde 1840, mas é em 1880 que o escritor Émile Zola (1840-1902) reúne os princípios da tendência em seu livro de ensaios O Romance Experimenta.


Artes plásticas -A pintura dedica-se a retratar fielmente paisagens urbanas e suburbanas, nas quais os personagens são pessoas comuns. O artista pinta o mundo como o vê, sem as idealizações e distorções feitas pelo realismo para expor posições ideológicas. As obras competem com a fotografia.
Em meados do século XIX, o grande interesse por paisagens naturais leva um grupo de artistas a se reunir em Barbizon, na França, para pintar ao ar livre, uma inovação na época.

Mais tarde essa prática será adotada pelo impressionismo. Um dos principais artistas do grupo é Théodore Rousseau (1812-1867), autor de Uma Alameda na Floresta de L'Isle-Adam. Outro nome importante é Jean-Baptiste-Camille Corot (1796-1875).
O francês Édouard Manet (1832-1883) é um nome fundamental do período, fazendo a ponte do realismo e do naturalismo para um novo tipo de pintura que levará ao impressionismo. Ele retrata a realidade urbana sem muito da carga ideológica do realismo. Influencia os impressionistas, assim como é por eles influenciado. Fora da França destaca-se o inglês John Constable (1776-1837).

Literatura -A linguagem dos romances é coloquial, simples e direta. Muitas vezes, para descrever vícios e mazelas humanos, usam-se expressões vulgares. Temas do cotidiano urbano, como crimes, miséria e intrigas, são usuais. Os personagens são tipificados: o adúltero, o louco, o pobre.

A descrição predomina sobre a narração, de tal modo que se considera que os autores, em vez de narrar acontecimentos, os descrevem em detalhes. Acontecimentos e emoções ficam em segundo plano. O expoente é Émile Zola, autor de Nana e Germinal. Também são naturalistas os irmãos Goncourt, de Germinie Lacerteux.

Teatro -As principais peças são baseadas em textos de Zola, como Thérèse Raquin, Germinal e A Terra. A encenação deste último constitui a primeira tentativa de criar um cenário tão realista quanto o texto. Na época, o principal diretor de peças naturalistas na França é André Antoine (1858-1943), que põe em cena animais vivos e simula um pequeno riacho.
Outro autor importante do período, o francês Henri Becque (1837-1893), aplica os princípios naturalistas à comédia de boulevard, que ganha caráter amargo e ácido. Suas principais peças são A Parisiense e Os Abutres. Também se destaca o sueco August Strindberg (1849-1912), autor de Senhorita Júlia.

NATURALISMO NO BRASIL -No país, a tendência manifesta-se nas artes plásticas e na literatura. Não há produção de textos para teatro, que se limita a encenar peças francesas.

Nas artes plásticas está presente na produção dos artistas paisagistas do chamado Grupo Grimm. Seu líder é o alemão George Grimm (1846-1887), professor da Academia Imperial de Belas-Artes. Em 1884, ele rompe com a instituição, que segue as regras das academias de arte e rejeita a prática de pintar a natureza ao ar livre, sem seguir modelos europeus. Funda, então, o Grupo Grimm em Niterói (RJ). Entre seus alunos se destaca Antonio Parreiras (1860-1945). Outro naturalista importante é João Batista da Costa (1865-1926), que tenta captar com objetividade a luz e as cores da paisagem brasileira.

Na literatura, em geral não há fronteiras nítidas entre textos naturalistas e realistas. No entanto, o romance O Mulato (1881), de Aluísio Azevedo (1857-1913), é considerado o marco inicial do naturalismo no país. Trata-se da história de um homem culto, mulato, que vive o preconceito racial ao se envolver com uma mulher branca. Outras obras classificadas como naturalistas são O Ateneu, de Raul Pompéia (1863-1895), e A Carne, de Júlio Ribeiro (1845-1890). A tendência está na base do regionalismo, que, nascido no romantismo, se consolida na literatura brasileira no fim do século XIX e existe até hoje. (1836-1912) e França Júnior (1838-1890)


 - Forte influência da literatura de Émile Zola (França).
 - Romance experimental, apoiado na experimentação e observação científica.
 - A investigação da sociedade e dos caracteres individuais ocorre “de fora para dentro”, os personagens tendem a se simplificar, pois são vistos como joguetes, pacientes dos fatores biológicos, históricos e sociais que determinam suas ações, pensamentos e sentimento.
 - Volta-se para a biologia e a patologia, centrando-se mais no social.
 - As obras retratam as camadas inferiores, o proletariado, os marginalizados e, normalmente, os personagens são oriundos dessas classes sociais mais baixas.
 - o tratamento dos temas com base em uma visão determinista conduz e direciona as conclusões do leitor e empobrece literariamente os textos.

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